NOTA CONTRÁRIA AO RETORNO DAS AULAS PRESENCIAIS EM OURO PRETO 

A direção do Sindsfop vem, por meio desta nota, expressar sua posição  acerca do retorno das aulas presenciais no município de Ouro Preto, Minas  Gerais, e expor os argumentos que embasam a posição assumida. 

Em primeiro lugar, aqueles que defendem o retorno das aulas  presenciais, incluindo o Ministério Público local, alegam que o direito à educação  não estaria sendo respeitado. Tal pressuposto não é verdadeiro, haja visto que escolas e professores se adaptaram para continuar as aulas de modo remoto,  utilizando internet, celulares, computadores e redes sociais, como recursos  didáticos. 

Ainda que fosse verdadeira e legítima tal alegação, feita pelos que  defendem o retorno das aulas presenciais, cabe lembrar que, para além do  direito à educação – que, reiteramos, não foi desrespeitado – os estudantes  também têm direito à saúde e à vida. Este direito, por seu turno, que se estende  também aos professores, motoristas, cozinheiras, faxineiras, etc., será violado caso o retorno presencial se dê antes da ampla vacinação da comunidade  escolar. Entretanto, a vacinação, em Ouro Preto, ainda não atingiu sequer 30%  da população e, apesar de os trabalhadores da educação já terem sido  vacinados, estes receberam apenas a 1ª dose, não estando, portanto, 100%  imunizados contra o novo coronavírus, tampouco contra as novas variantes ou  cepas já identificadas e que são mais agressivas e letais. 

Sabemos que, durante as aulas presenciais, as demandas de  atendimento médico ou hospitalar para crianças e adolescentes aumentam,  devido à vários fatores, que vão desde a exposição de seus organismos à  agentes infecciosos antes desconhecidos por seus sistemas imunológicos, até  acidentes como quedas durante o recreio. Durante a pandemia, com a  interrupção das aulas presenciais, o índice de internações de crianças e  adolescentes caiu drasticamente. Além disso, devemos considerar que as condições climáticas de Ouro Preto (alta umidade, baixa temperatura) já são  naturalmente favoráveis à contaminação por doenças respiratórias.  

Caso o retorno presencial ocorra neste momento, haverá uma explosão  na ocupação dos leitos hospitalares, especialmente aqueles pediátricos, tanto  por causa da pandemia de coronavírus, quando por outros motivos já  mencionados acima. Aqueles que, tal como fez o Ministério Público, hoje  pressionam pelo retorno imediato e irresponsável das aulas presenciais, serão  os mesmos que, caso esse retorno se dê, irão pressionar para que se arranjem  leitos para os infectados.

Sabemos também que o organismo de crianças e adolescentes, por seu  metabolismo mais acelerado, quando infectado por agentes infecciosos (vírus e  bactérias) favorece o surgimento de mutações e a produção de novas cepas.  Pesquisas científicas recentes apontam para o fato de que a interrupção das  aulas presenciais, ao restringir a circulação e, portanto, sua exposição ao novo  coronavírus, contribuiu para retardar a produção de novas cepas. 

Por fim, as escolas e creches públicas de Ouro Preto, principalmente das  redes municipal e estadual, não possuem infraestrutura adequada para receber  seus alunos e trabalhadores com segurança sanitária. A grande maioria – senão  a totalidade – delas possui salas pequenas e pouco arejadas, tetos e paredes  com infiltrações e mofo, corredores estreitos, banheiros igualmente exíguos e  pouco ventilados e bebedouros inadequados. Em algumas, os alunos  compartilham as carteiras, sentando-se em duplas. Em outras, não há mesas no  refeitório. Além disso, a imensa maioria dos estudantes e trabalhadores da  educação da rede pública utilizam o transporte público que, em nossa cidade, é  precário, escasso e deficitário, para se deslocarem de suas casas até as escolas,  e para, depois retornarem às suas. 

Por todos estes motivos acima elencados, a direção do Sindsfop é contra ao retorno das aulas presenciais no município de Ouro Preto, Minas Gerais. 

Sem mais havendo a acrescentar, dou como certo o que está acima  escrito. 

Ouro Preto, Minas Gerais, 28 de Julho de 2021. 

Leandro Andrade Cardoso
Presidente do Sindsfop

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *